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Da extração ao crescimento -
um projeto sem concreto


















*Finalista do Prêmio WheelWright  - Harvard University GSD 2018
Na constante necessidade de melhorarmos a qualidade do espaço construído, adicionado à crescente demanda para atender novas moradias ao redor do planeta, enfrentamos como sociedade, a contradição da necessidade produtiva em larga escala de novas moradias e a obrigação imediata da redução do impacto ambiental gerado pela indústria civil.

Em frente a este dilema, a pesquisa que se pretende concretizar é um desdobrar do trabalho já realizado e apresentado na forma de portfolio. Propõe-se assim um estudo sobre as possibilidades práticas da industrialização de materiais renováveis, tendo a construção em madeira como elemento central.

A importância do aprofundamento desta técnica construtiva, a construção em madeira, reside no seu valor histórico arquitetônico (da oca brasileira à pagoda japonesa), no seu potencial produtivo renovável e na existência em abundância desse material em áreas subdesenvolvidas que utilizam a madeira especialmente como matéria prima a ser exportada e não como elemento industrializado, apto para atender as necessidades de moradia da população crescente.

O uso da madeira em larga escala, teve historicamente uma relação extrativista sem o olhar para a renovação dos recursos disponíveis. Em muitos casos, como em locais da África e América do Sul, a madeira era retira e enviada além-mar para a metrópole e o prejuízo ecológico e a falta de tecnologia construtiva se instauravam na colônia. Com o passar dos anos e o desenvolvimento de técnicas de controle e aumento produtivo, houve a possibilidade de um processo mais eficiente de manejo da floresta e uma diminuição de impactos ambientais, tornando possível um cultivo responsável do material para uso na construção civil. Porém tal uso ocorre, em grande maioria, em países desenvolvidos localizados nas zonas climáticas Temperas e Fria, enquanto os países com maior necessidade de novas moradias e maior produtividade de madeira m3/ano, localizados nas zonas tropical e equatorial, não a utilizam como tal.

A pesquisa, portanto, ocorrerá em duas zonas climáticas distintas, na temperada/fria e na tropical/equatorial. Na primeira faixa climática (Canada, França, Áustria, Japão), encontra-se o maior desenvolvimento técnico sobre a utilização do material estudado, com florestas de menor produtividade (crescimento de m3/ano). Na segunda zona climática se concentra a maior capacidade produtiva, em países como Brasil, Chile, Congo e Austrália, porém, em muitos casos, com menor desenvolvimento da cadeia produtiva e grande necessidade da construção de novas moradias.

A crescente demanda por novas moradias, não surge hoje como novidade, foi tratada com compromisso pelos arquitetos durante o período moderno, através, em muitas horas, da replicação indiscriminada de edifícios genéricos executados com matéria prima não renovável e com grande emissão de CO2. No entanto hoje entendesse com olhar histórico crítico a impossibilidade de promover uma arquitetura que não ofereça um entendimento total dos processos produtivos e analise criticamente a sociedade e o sitio na qual esteja inserida.

Assim perante esta contradição entre produção, demanda por novas moradias (27,7 milhões novas moradias até 2020 somente no Brasil) e desenvolvimento de conhecimento local a pesquisa busca entender, conciliar e extrair conhecimento da floresta, das arquiteturas vernaculares, dos processos produtivos atuais e de sua usabilidade como arquitetura, traçando linhas de interesse comuns que podem ser compartilhadas