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Indústria Comunitária na Amazônia


































A possibilidade de construir uma nova fábrica na comunidade do rio Iratapuru é o resultado de um bonito esforço coletivo que transpassa os anos. A coleta, o beneficiamento e o compartilhamento da castanha do Pará é o elo que mantém economicamente toda uma comunidade ativa. A comunidade extrativista do rio Iratapuru historicamente ocupava um vasto território as margens do rio, no entanto, após a realização de uma barragem próxima e a criação de uma vasta lagoa de contenção, que expandiu as margens do rio, abruptamente e de forma mandatória a comunidade foi reassentada em pequenos lotes, conformando assim um pequeno vilarejo e uma nova forma de coabitar. Com a expansão produtiva dos extrativistas e com o acesso a uma repartição de lucros realizada pela empresa Natura, se fez necessária por parte da comunidade vislumbrar um novo futuro. Neste desenho do amanha, se optou por investir na criação de uma nova fábrica que contemple uma maior produção assim como variados processos de beneficiamento da castanha do Pará.

Neste contexto e através de discussões com a comunidade, propomos uma abordagem que contemple distintas fases de implantação como também diferentes metodologias e técnicas construtivas, vislumbrando que o dinheiro e o conhecimento investido nesta nova fábrica seja compartilhado ao máximo localmente.

Como tática de implantação o projeto se compõe de duas formas. A primeira, relacionada a estrutura de madeira leve, eficiente e com um sistema de pré-fabricação em canteiro o qual toma em conta o dificultoso e único acesso realizado somente através de barco. A estrutura gera a sombra, demarca um território e através de um sistema de medidas propicia uma transição entre as áreas abertas, de funções mais livres e os espaços confinados com usos mais específicos. A segunda são volumes que delimitam áreas específicas, garantem estanqueidade e provém todas as condições necessárias para o perfeito funcionamento de cada função. Tijolos de solo e cimento, fabricados em canteiro, são a matéria prima para a execução dos volumes autônomos. Os tijolos podem ser executados e empilhados por membros da comunidade e sua execução pode responder a necessidades de expansão da fábrica ou ligeiras adaptações que se façam necessárias no futuro. Possibilitar um campo coberto e objetos independentes, que ocupam e se articulam dentro desta cobertura, através de técnicas claras e replicáveis é, além de um desenho de um fábrica, uma tentativa de propiciar um conjunto de circunstancias favoráveis a expansão produtiva, cultural e econômica da comunidade do rio Iratapuru.
























AUTOR

Gustavo Utrabo


COORDENAÇÃO 

Beatriz Rocha


EQUIPE

Ana Mulky, Bárbara Bucker, Carlo Galli, Júlia Lazcano


CLIENTE

Cooperativa dos Castanheiros do Rio Iratapuru

LOCAL

Comunidade do Rio Iratapuru


ANO DO PROJETO

2019


*PROJETO EM ANDAMENTO

MATERIALIDADE

Madeira, Tijolo de Solo-cimento, Tecido.