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Moradas Infantis - Canuanã















*Riba International Prize - Vencedor 2018.
*Riba International Emerging Prize 2018.
        
*Finalista no Prêmio Mies Crown Hall Americas Emerge - IIT College of Architecture Chicago.
*Vencedor do Archdaily Building of the Year categoria: Educational Building - 2018.
*Vencedor do Archdaily Obra do ano - Melhor Edifício no Brasil - 2018.
*Vencedor do Amata Ibramen wood building of the year - 2018.
*Vencedor do Saint-Gobain Sustainable Prize with Children Village - 2018.
*Vencedor do Prêmio APCA 2017 (Associação Paulista de Críticos de Arte) - Categoria: Arquitetura no Brasil.
*Vencedor do Prêmio AkzoNobel do Instituto Tomie Ohtake categoria: Arquitetura Contemporânea.




























É o continuo, o vasto e uma tênue linha imaginária ao fundo que acolhem a jornada e os saberes dos brasileiros residentes na região central do país. A arquitetura lá proposta não poderia ser distinta de tal conformação. É a amplitude que nos toca aliada à beleza do povo que lá habita.

Entretanto, como a arquitetura marcada por suas memórias, técnicas, estéticas e ritmos se tornaria pertinente a este local? Como lidar com este sítio no qual a cultura vigente se moderniza e se abstém de qualquer memória em prol de um sonho reproduzido? Como intervir num lugar marcado pelo trabalho manual da lavoura e pela natureza indígena?

Com estas indagações o projeto caminha na direção da transformação, do resgate cultural, do incentivo a técnicas construtivas locais, da beleza indígena e seus saberes, aliado à construção da noção de pertencimento, necessária ao desenvolvimento das crianças da escola de Canuanã.


O processo colaborativo

Como desenhar um espaço de moradia para crianças de 13 a 18 anos que habitam um local remoto no centro do Brasil? Qual é a escala ideal para estas crianças que a cada dia interpretam o ambiente a partir de um ponto de vista distinto?
Para entendermos adequadamente esta escala e propor uma relação de pertencimento onde se altera o entendimento da escola de um local meramente educacional para um local onde também se reside, utilizamos a metodologia A Gente Transforma onde se parte de uma colaboração aberta e intensa com a comunidade local, professores, administração, e especialmente, os usuários do edifício, as crianças. O processo passa por fases de pesquisa, imersão e colaboração com todos os envolvidos através de workshops e dinâmicas, em que se busca um entendimento comum do problema e de suas possíveis soluções advindas do dialogo entre a técnica contemporânea e o rico conhecimento vernacular local.












Organização em vilas

A nova organização em vilas fundamenta-se, em primeira instância, na necessidade de agregar valores a todo o complexo existente, assim como potencializar a ideia de pertencimento dos alunos a Canuanã. Desmistificar o status da escola como espaço somente de aprendizado e transformá-la em um território com valor de lar.

Para isto, a nova morada se organiza fundamentalmente em duas vilas, uma masculina e outra feminina. Esta separação já ocorria anteriormente e foi mantida por motivos claros, porém neste novo momento as moradias não mais serão conformadas por grandes espaços dormitórios mas sim por 45 unidades de 6 alunos cada. Com este ato de redução do número de alunos por quarto, pretendemos melhorar a qualidade de vida das crianças, sua individualidade e, por consequência, seu desempenho acadêmico.


Contíguo aos dormitórios estão os mais distintos espaços de convívio como sala de TV, espaço para leitura, varandas, pátios, redários entre outros. Todos estes novos programas complementares a morada foram idealizados conjuntamente com os alunos no intuito de melhorar a qualidade de vida e refinar o laço entre alunos e escola, afinal “Canuanã é minha casa”. Desta maneira, além de abrigar um maior número de crianças, as novas vilas pretendem aumentar a autoestima das crianças através da utilização de técnicas locais, criando uma ponte entre as técnicas vernaculares e um novo modelo de habitação sustentável.
Neste novo momento a localização das moradas não mais reside no coração da fazenda como antigamente, pois este deve ser preenchido com programas diretamente relacionados ao ato de aprender. As novas vilas, mais amplas e arejadas estão localizadas em pontos estratégicos que guiam o novo crescimento da fazenda, organizando o território e possibilitando uma melhor leitura espacial e funcional da escola.











Material

Uma leve cobertura metálica suportada pela estrutura de madeira seguindo um grid de 5,90m por 5,90m cobre as vilas e os espaços comuns. Além de proteção contra insolação e vento, a cobertura e seu grid criam um espaço intermediário entre interior e exterior, funcionando como um amplo terraço que marca o vaso horizonte e enquadra a paisagem. A decisão de usar madeira laminada colada de eucalipto veio da vantagem da versatilidade e sustentabilidade deste material como elemento pré-fabricado e em resposta à necessidade de uma obra rápida que minimizaria a desorganização no funcionamento da escola. Da mesma forma, tijolos de solo-cimento feitos de barro local, moldados in loco, foram escolhidos como material para essa obra para eliminar questões logísticas de distância além de possuírem excelentes propriedades térmicas. O material foi usado como vedação em paredes de tijolo aparente assim como treliçados, permitindo ventilação e proteção das áreas molhadas. 

O tijolo trabalhou técnica e estéticamente, muito como os próprios locais fazem há tempos. Em última análise, o design para as novas vilas tem como objetivo aumentar a auto-estima das crianças, promover sua individualidade, noção de pertencimento, responsabilidade ambiental e, sobretudo, performance acadêmica através do intercâmbio entre o conhecimento local e o potencial do edifício. Em suma, um diálogo é criado entre técnicas vernaculares e um modelo positivo para a habitação sustentável.  













AUTOR

Gustavo Utrabo, Pedro Duschenes + Rosembaum (Adriana Benguela, designer Marcelo Rosembaum)


EQUIPE

Marina Oba, Ana Julia Filipe, Yuri Varconcelos, Gabriel Tomish, Nivolie Duarte e Hyruam Minosso

FOTOS DA CONSTRUÇÃO 


Diego Cagnato

FOTOS DO EDIFÍCIO 

Cristobal Palma


CLIENTE

Fundação Bradesco



DESIGN DA ESTRUTURA EM MADEIRA, FABRICAÇÃO E CONSTRUÇÃO 

Ita Construtora

PAISAGISMO

Raul Pereira Arquitetos Associados

LUMINOTÉCNICA

Lux Projetos Luminotécnicos

FUNDAÇÕES ESTRUTURAIS 

Meirelles Carvalho

CONSULTORIA ACÚSTICA E TÉRMICA 

Ambiental Consultoria

ENGENHARIA MECÂNICA E ELÉTRICA

Lutie

LAJES DE CONCRETO

Trima

CONSTRUÇÃO 

Inova TS

GERENTE DE CONSTRUÇÃO 

Metroll

DESIGN DE MOBILIÁRIO

Rosenbaum e o Fetiche

COMUNICAÇÃO VISUAL

Fabiana Zanin

LOCAL

Formoso do Araguaia, Tocantins - Brasil

ANO DO PROJETO

2016


ANO DA CONSTRUÇÃO

2017


ÁREA

23.344,17 m2

MATERILIDADE

Madeira, Tijolo de Solo-cimento, Concreto, Cobertura metálica.